Conversas com Pontos de Venda NewCoffee
Bolinhos do Jorge
O que inspirou o Jorge a entrar no mundo dos bolos?
A minha paixão pelos bolos vem da
minha infância. A minha mãe sempre gostou de fazer
bolos para a família, e havia sempre um bolo
caseiro ao fim de semana e nos aniversários.
Lembro-me de passar os verões com a minha avó, que fazia bolos
simples, "tudo ao olho", num forno a lenha.
Além disso, nos convívios de domingo com a família do meu pai enchiam a mesa
de sobremesas caseiras. A minha tia Regina
fazia torta de cenoura com ganache de chocolate e a minha tia São fazia
uma bavaroise.
Eu tinha muita curiosidade em ver a minha mãe a fazer e a acompanhar
os processos, e foi aí que tudo começou.
O que fazia antes de ter aberto este espaço / de se dedicar aos
bolos?
O meu primeiro trabalho, aos 16
anos, foi numa pastelaria,
mas foi um choque ao descobrir que os bolos eram industriais, feitos com
misturas prontas.
Depois disso, trabalhei numa loja de roupa e, mais tarde, numa
loja de brinquedos no Porto. Em
2009, tirei o curso de pastelaria, mas não
pensei em fazer disso vida. Antes, tinha tirado
um curso de design.
A mudança deu-se quando fui para Londres em 2012.
Lá, acompanhei a abertura de uma coffee shop
que servia café de
especialidade e fazia bolos artesanais, e isso despertou a minha
curiosidade. Quando regressei a Portugal em
2016, decidi finalmente lançar-me.
Abri a primeira loja em julho de 2017.
Como é que a sua identidade pessoal se reflete no negócio?
O nome "Bolinhos do
Jorge" já identifica uma pessoa, e essa pessoa sou eu.
A
minha identidade reflete-se na forma como comunico nas redes sociais,
especialmente no Instagram. Eu fui um dos primeiros a
fazer stories a falar, o que era estranho para as pessoas na altura.
Hoje, é normal, e eu sou mais
"desavergonhado" a falar e a partilhar. As pessoas têm curiosidade em acompanhar a minha vida
pessoal.
Eu sou pasteleiro, mas também sou o Jorge, uma pessoa. E um está sempre ligado ao outro.
Por que escolheu servir café Bogani no seu estabelecimento?
Aceitei avançar com a marca porque senti confiança na equipa.
Como tem sido a parceria com a NewCoffee?
A parceria tem sido muito tranquila. O feedback dos clientes é positivo e tenho a
equipa certa a dar apoio.
Aliás, estamos a testar o café Bogani Bio, que é 100% Arábica.
O cheiro e o sabor fazem-me lembrar o café de
especialidade. É interessante oferecer um café
biológico, tendo em conta o trabalho que faço aqui.
Quais as suas referências profissionais no mundo da pastelaria?
Eu admiro vários profissionais, mas destaco a Rita Nascimento (La
Dolce Rita), a Vânia Trindade (Bake It Cake Design) e a Ana (Cake Shop), já fiz
workshops com as duas últimas.
Gosto muito do trabalho e método da americana Christina Tosi e do francês
Cédric Collet. O Cédric faz um trabalho incrível, com muita técnica e material
de qualidade. Os doces dele não são para quem está habituado a muito açúcar.
A minha filosofia é ter equilíbrio nas coisas, não ser demasiado doce. O
açúcar não deve mascarar os sabores do bolo.
Como vê o crescimento da sua página? Qual é o segredo do seu
sucesso?
A página tem hoje 21.3 mil seguidores, e o meu sucesso assenta em
vários pilares ao longo dos 8 anos.
Em 2017, o meu conceito era pouco comum, o que gerou um boom
mediático muito grande. Saí várias vezes na Time Out, Público, Evasões, Sábado
e Visão, e estive na RTP, SIC e TVI. Isto ajudou imenso o crescimento nas redes
sociais.
Oferecer um bolo a influencers locais trazia-me cerca de 100 novos
seguidores na hora em que
eles publicavam e gerava encomendas.
Atualmente, com mais concorrência, invisto nas publicações da plataforma, o que
tem trazido muitas pessoas novas.
A minha loja não está numa zona de passagem, mas é um destino final. As pessoas
vêm cá de propósito porque já conhecem o trabalho e a qualidade.